O sul de Minas Gerais, desde seu extremo leste, nos píncaros da Mantiqueira, até seu extremo oeste, nos metros finais do grande rio Grande, guarda surpresas e revela paraísos que vêm, ao longo dos tempos, atraindo viajantes de todas as sortes. Essa imensa faixa de relevo acidentado, uma testemunha ocular da transição entre mata atlântica e cerrado, tem demonstrado, além desse poder de atração, uma capacidade de redescoberta muito peculiar, obrigando-me a revisitar locais que destrinchara em outras oportunidades e aos quais cria, ingenuamente, que não careceria retornar em hipótese alguma. Foi por esse motivo que aceitei o convite de Luciano Cogliati, um motociclista recentemente conhecido na cruzada do fim de 2013 pelo Jalapão (link). Ambos rumaríamos, então, com nossas digníssimas mulheres, Cíntia e Luana Romero, para Delfim Moreira, uma cidade cujos entornos Levi Vieira e eu já conhecêramos anos atrás (link), de passagem para a Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Luciano garantira que desfrutaríamos de cenários novos e cachoeiras nunca dantes registradas, e essas promessas me motivaram a regressar ao alto da Serra da Mantiqueira, no sudeste mineiro. Que a chuva nos desse uma trégua para que toda essa exuberância pudesse ser devidamente documentada.
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Delfim Moreira |
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Cachoeira do Itagybá |
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Estação de Delfim Moreira |
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Túnel do Barreirinho |
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Cachoeira do Cubatão |
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Cachoeira do Paredão |
O tempo se esvaia rapidamente velozmente. A chuva, nossa (in)grata companheira nesses dois dias, ameaçava desabar sobre os píncaros da Mantiqueira. Tínhamos, contudo, um grande desafio antes de regressar: chegar a Piquete por uma estrada de terra íngreme, sinuosa e escorregadia. Por fim a tememos bobamente, pois foram meros 7km a partir da cachoeira do Paredão e relativamente fáceis de se trilhar. Após esses quilômetros a descida se intensificou, mas aí já havia calçamento. Passamos pela Vila dos Marins e fomos perdendo altitude à medida que nos aproximávamos de Piquete e, consequentemente, do Estado de São Paulo. Já nos contrafortes da serra, ainda observamos de longe a impressionante cachoeira do ribeirão Mendanha (foto que encerra a presente postagem), escorregando por 150 metros e tendo como “vigilante”, ao fundo, o imponente Pico dos Marins, o maior inteiramente dentro do Estado de São Paulo com 2420 metros de altitude. A cachoeira, por si só, é de vistosa beleza, visto “escorregar” Mantiqueira abaixo por 150 metros. Em Piquete, uma despedida dos companheiros de aventura e um aceno final para a “gota de chuva” (amana tykyra, em tupi). Seguimos pela Dutra e pela Carvalho Pinto, vendo a moto de Daniel Bento sumir para São José dos Campos. No acesso à Dom Pedro foi a minha vez e a de Luana, que rumamos para o inteior paulista enquanto Luciano seguia para a capital. Foram 700km rodados em dois dias, mais algumas cachoeiras no porta-fólio e a certeza de que a Mantiqueira sempre nos reservará surpresas caso tenhamos a gana de redesafiá-la, dia após dia.
Mais fotos no seguinte slideshow ou aqui.