Um grito de desespero, em tese, não é uma forma de demonstrar revolta. Apesar do som áspero de cordas vocais se retesando, coordenando-se entre si para irromper em um brado que desperta a temeridade e a perplexidade dos circunstantes, nada pode ser mais infrutífero que uma vocalização não procedida imediatamente por uma ação. Os grandes ditadores e líderes mundiais verbalizaram seus conceitos e mobilizaram um grande número de pessoas para pô-los em prática, mesmo sendo os objetivos muitas vezes escusos (não discuto aqui o fim, mas os meios dessa maneira peculiar de atuar no mundo e modificá-lo para sair de uma zona acrítica de conforto). Ideias, no papel, na boca e na mente, são meros contornos, espectros, e o que as dão substância e materialidade é o movimento, esse tão negligenciado pela sociedade cada vez mais confinada, por livre e espontâneo arbítrio, em seus pequenos círculos rotineiros onde tudo parece estar sob controle. Saindo do plano social, e focalizando mais o homem só, individual, eu diria que falta ainda uma motivação para a grande maioria em viver o que realmente a faz sentir viva, e não apenas uma reprodutora do sistema vigente. O problema, a meu ver, não está em idealizar sonhos e devaneios – matéria muito fácil por sinal – mas sim em concretizar o que a mente instaurou como verdade pessoal, absoluta. A capacidade de ação tem se perdido em algum momento entre o pensamento e o impulso nervoso que desencadeia o primeiro passo em direção à liberdade. Em suma, perdemos nossa capacidade de transgressão.
Vagando solitário pelo interior paulista |
Cidadão ararense |
Basílica de Nossa Senhora do Patrocínio |
Vista posterior |
Portaria do PE de Vassununga |
Centro de Visitantes na gleba Capetinga Leste |
Floresta estacional semidecidual na gleba Capetinga Oeste |
Registro desfocado do raro Curió |
Teia de aranha em meio à mata atlântica de interior |
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Jequitibá-rosa conhecido como "Patriarca" |
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Mais de 3000 anos de idade, 49m de altura e 6m de diâmetro |
A fauna sobrevive |
Cotia |
Pelo Caminho da Fé |
Capela na zona rural de Santa Rita do Passa Quatro |
Rio Claro |
Várzea do rio Claro |
Irerês |
Ponte sobre o rio Mogi-Guaçu, em Porto Ferreira |
Garça-branca-grande |
Igrejinha de 1960 e cerâmica, em Porto Ferreira |
Carcará |
Matriz de Nossa Senhora dos Aflitos, em Pirassununga |
Sítio São Roque, na zona rural de Pirassununga |
Bairro do Córrego Taquari, em Leme |
A morte da agricultura familiar |
Cristo de Leme |
Vista do Morro do José Leme, em Leme |
Se um dia me veres hirto, saiba: estou contemplando algo ou descansando por ter contemplado algo enquanto eu me movimentava. Se um dia me veres em movimento, tenha certeza, estou vivendo, e esse seu olhar atento em minha direção mostra que estás parado, deixando de lado a sua vida, privando-se da contemplação de algo digno. Privando-se do mundo.
Mais fotos no seguinte slideshow ou aqui.
E aí, Carcará, como vai? Acho que tu não tens que pedir desculpas pela introspectividade do texto, ou se ele pareceu demasiado filosófico, pois é justamente isso que deixou o texto mais interessante de ser lido, pelo menos na minha opinião. Acho muito bacanas as tuas narrativas sobre os lugares que conheceste, e gosto delas exatamente porque têm muito mais do que apenas descrições de lugares, de paisagens, etc. Ler textos como os teus, ver essas fotos todas, perceber a tua vontade de "se jogar no mundo", tudo isso é muito inspirador, confesso. Adorei esse trecho: "Se um dia me veres hirto, saiba: estou contemplando algo ou descansando por ter contemplado algo enquanto eu me movimentava. Se um dia me veres em movimento, tenha certeza, estou vivendo, e esse seu olhar atento em minha direção mostra que estás parado, deixando de lado a sua vida, privando-se da contemplação de algo digno. Privando-se do mundo." Eu sei que não foi escrito para mim, é claro, mas é como se tivesse sido, e por isso eu gostei, simplesmente porque me identifiquei com essas frases. Enfim, acho que deu para perceber que gostei muito de ter vindo aqui outra vez, né? Ah, gostei do som também! Um abraço, e continue desbravando lugares por aí, que eu sei que isso não é somente o que alimenta este blog, como também a tua vida.
ResponderExcluirMuito obrigado pelo comentário e pela reaparição, meu caro Ulisses. Desde o princípio a ideia do blog foi a de inspirar os leitores a descobrir o próprio país. Conheço pessoas que tem uma ideia errônea do mesmo, pois sequer saíram do Estado de São Paulo ou de suas microrregiões. Só se pode obter uma dimensão exata de nossa cultura ao conhecermos os vários povos dentro de uma mesma nação, bem como todos os biomas que a permeiam. Estar em movimento, portanto, é dar uma chance maior aos olhos de ver o que não estão habituados, e consequentemente apreender realidades distintas, mas que mesmo assim não deixarão de influenciá-los a contribuir na formação do indivíduo. Abraço.
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